Álvaro Siza emocionou o mundo

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Março 2015
2015
O arquiteto português Álvaro Siza emocionou o mundo com seus trabalhos seminais e, aos 81 anos, permanece surpreendendo pela autenticidade e espontaneidade de sua obra mais recente
 
O arquiteto português Álvaro Siza tem uma trajetória bem-sucedida. Ao longo de 60 anos, construiu em diversas partes da Europa e além, resolveu programas de todos os tamanhos, e seu reconhecimento lhe rendeu a maior parte das medalhas, láureas e outorgas que podem ser atribuídas a um arquiteto. Entretanto, a obra recente do autor ainda mostra fôlego, com liberdade levada ao limite, sem abrir mão da espontânea autenticidade de seus trabalhos de juventude.
Ainda estudante, Siza já desenhava projetos autorais. Aos 25 anos, entrou com colegas num pequeno concurso de seu município, Matosinhos, para decidir quem assinaria o projeto de um restaurante próximo a uma pequena paróquia nos arredores do Porto, nas escarpas que, no norte de Portugal, se precipitam sobre o oceano Atlântico –, a Casa de Chá Boa Nova. A equipe de Siza venceu a proposta por meio de um pavilhão rebaixado em relação à rodovia, com três telhados defasados, sem contrastar com a igreja existente. Um caminho anguloso cria um percurso do exterior até o salão principal do restaurante, onde um pano de vidro dá aos visitantes a vista do horizonte atlântico.
Alguns anos depois, o português venceu mais um concurso à beira-mar, no mesmo distrito de Leça da Palmeira, em Matosinhos. Tratava-se de uma série de piscinas feitas em concreto armado, um conjunto que praticamente desaparece no limite entre cidade e mar. A força do complexo vem de uma criteriosa delimitação das águas com muros de arrimo e com as rochas existentes. As pedras ajudam a compor a circular piscina infantil e a de adultos, criando uma paisagem na qual a natureza das águas salgadas e dos rochedos se mescla com os arrimos de concreto e a água doce. A eloquência do clube chamou a atenção do mundo para aquela nação periférica da Europa, que vivia imersa numa ditadura de três décadas. Surgiram as primeiras publicações internacionais, sinalizando o interesse em um trabalho particular feito durante os anos 1960, mesma década em que aparecem no cenário arquitetônico o italiano Aldo Rossi e o norte-americano Robert Venturi, alguns dos precursores do pós-modernismo na arquitetura.