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2020
1. Casa
A casa é o território de maior significado quando se desloca este conceito para os limites mais reservados do diálogo entre o público e o privado. Singular ou plural, o desafio da casa está posto como direito universal. Nesse sentido, pretende-se discutir as tentativas bem-sucedidas de conceituar, projetar e produzir a “casa americana”. Em tempos de desterritorializações, do nomadismo, dos deslocamentos dos turistas e dos homens sob a demanda do trabalho, indaga-se acerca da sobrevivência e da transformação do conceito de abrigo.

2. Metrópole
Inúmeras vilas e cidades americanas nasceram identificadas por muralhas e portas. Hoje o habitat das multidões desconhece a ideia de fronteira. Como projetar levando em conta metrópoles sem tamanho definido? Como tratar de territórios urbanos que, em vários aspectos práticos e concretos do quotidiano, abolem essa prática? O que dizer, por outro lado, da fortificação dessas fronteiras para os que dela lançam mão como estratégia de defesa, a exemplo dos condomínios fechados, das favelas que, de algum modo, retomam a ideia de limite?

3. Celebrações
No lugar das guerras, as grandes comemorações entre os países concebem e nutrem o contato pacífico entre eles. Jogos olímpicos e outros acontecimentos de dimensão internacional promovem imensos movimentos de renovação urbana e alçam cidades à escala global do planeta. De forma inequívoca, nestas situações migratórias está presente a ideia de nação, ao tempo que se afirma a sociedade global. Como atuar diante desses impactos sobre vivências consolidadas?

4. Encontro e solidão
Se a América, no seu nascimento, antecipa a noção de um mundo global, como enfrentou os possíveis traumas deste nascimento? Se as polaridades culturais hoje são requalificadas com a proposta das heranças compartilhadas, como a América conversa com o mundo, dentro desta escala? Como o arquiteto responde aos desafios da ideia de patrimônio mútuo?

5. Sistemas de representação
Ao modo dos ninhos para os pássaros, mapas foram fundamentais na demarcação dos territórios, em especial no caso americano. São modos de ver o mundo. Em uma outra escala, assim também se portaram os desenhos gráficos dos arquitetos, hoje ampliados com a atenção ao vernáculo, aos experimentos intuitivos, pelo mergulho no mundo da espetacularização, das mídias e das novas poéticas. Buscar-se-á pensar nos diferentes estatutos disponíveis para expressar os territórios.

6. Virtualidade
Separar o civilizado do inculto, o domesticado do selvagem, foram ações incisivas na construção da ideia de América. No século XXI as fronteiras não acolhem apenas os territórios físicos, mas os que se encontram permeados pelas mídias. A própria rede mundial de computadores é território disputado, colonizado e edificado. Para além dela, expressões como o pós-humano, o pós-orgânico, nos levam a considerar a remodelagem das matérias. Quando o território passa a constituir-se em um sistema de redes e interfaces, como fica o papel do corpo e do abrigo?

7. Territórios verdes
Quando se pensa a natureza, um dos seus centros, a Amazônia, pulsa como um vigoroso coração. Locus de confluência de imaginários de origem, requer, em tempos de preocupações ecológicas e cataclismos, que o arquiteto pense seu destino. Onde fica o lugar da natureza, de evidente força no caso americano, quando, no contexto da cidade, o urbano não enxerga mais o rural? Há possibilidade de ajuste entre tecnologia e mundo natural, quando a arquitetura concebida como expressão do sítio, na sua dimensão geográfica e intempérica, é posta em xeque?