O primeiro seminário ocorrido em Lisboa, de 19 a 23 de Abril de 2010 teve como tema:

“Uma Utopia Sustentável - Arquitetura e Urbanismo no Espaço Lusófono: que futuro?”

A ideia de organizar um Seminário cujo tema central é a Utopia não pode considerar-se original. No último meio século, têm-se multiplicado as iniciativas onde se promove a reflexão sobre este tema, congéneres ou concomitantes. E isso deve-se, talvez, ao facto de, a partir da segunda metade do ´seculo XX, se ter finalmente constatato que o pôr em práticas das ideias que podemos considerar “utópicas” não resultou em nenhum caso. É, de resto, natural que que algo que existe através da abstracção do espaço e do tempo, isto é, do aqui e do agora não seja jamais possivel, exactamente, no aqui e no agora.

É verdade que há um substrato messeânico, redentor, portanto, das sociedades e da sua História que tem exercido atracção sobre o homem em todas as épocas. A questão da ordem, que deve substituir o caos e erradicar os seus resultados aparentes, a saber -  a injustiça, a desarmonia, a infelicidade, a insegurança, a guerra, a arbitrariedade e, de um modo geral, a irracionaidade, é também central em toda a ideia utópica. E é aqui que a imaginação se torna num motor do “projecto utópico”. No entanto, essa imaginação traz consigo uma armadilha: o ser isso mesmo, um produto da mente e do desejo, que, numa tentativa de reordenar aquilo que existe, propõe algo que não existe, que não pertence a lugar nenhum, que nega a História e que, por consequência, recusa muitas vezes a própria condição humana. Essa é talvez a razão por que todas as estratégias de impor a ordem utópica pressupõem sempre um qualquer autoritarismo e, por esse motivo, qualquer utopia, mesmo apenas como sonho, só ganha legitimidade quando for no sentido mais amplo do temo, sustentável. Não só em relação ao ambiente, à economia ou à própria politica, mas também aquilo a que chamamos Humanidade (como qualidade do ser humano), que comporta sempre imperfeições, contradições, irracionalidades e sobretudo sentimentos.

Utopias que não sejam “amáveis”, são más utopias, são, como hoje em dia se diz, distopias.

Será assim razoável e justo que o mundo lusófono aspire a pensar o futuro, tendo em conta tudo isto. Foi esse o desafio que lançámos a todos os que refletem sobre o ambiente construido nos países de lingua portuguesa – escolas, investigadores, profissionais e estudantes.

 

O segundo seminário, “Palcos da Arquitetura”, realizou-se em Lisboa, de 5 a 7 de outubro de 2012 teve como tema:

Arquitetura e representação, entendendo esta última na sua acepção mais lata, isto é, como um modo de tornar presente o que está ausente, surgem, como conceitos, mutuamente implicadas. Não é raro, aliás considerarmos que a arquitectura, em certos aspectos, não é muito mais que isso: pura representação. Porquê? Porque o espaço que ela inaugura se desenvolve sobretudo no plano simbólico: a interioridade e a exterioridade separadas por fronteiras com significância. A Arquitectura não será jamais ser o simples invólucro de espaços destinados a actividades. A Arquitectura qualifica as actividades que no espaço por ela definida se desenvolvem e confere estatuto aos seus habitantes. Trata-se, assim e em primeiro lugar, de encarar aquilo que a arquitectura quer dizer. Por aqui, a arquitectura exibe e exibe-se através de formas significantes. Não é verdade que é, desde o momento em que o espaço enquanto forma reenvia para qualquer coisa diferente desse mesmo espaço, como extensão, por exemplo, que consideraremos as significações da arquitectura? Desta forma, o espaço só adquire espessura semântica quando se torna algo diferente dele mesmo, sobretudo para quem o vivencia. E a Arquitectura transforma-se, então e antes do mais, numa espécie de veículo. De resto, o próprio acto de habitar humano implica um processo deste tipo. É isso, aliás, que dá à Arquitectura o poder de qualificar o espaço. Não será, assim, estranho, que dediquemos alguma reflexão ao facto de a arquitectura, como toda a representação, exigir sempre um palco. Esse é o tema de Palcos da Arquitectura.

 

O terceiro seminário teve como tema “Arquiteturas do Mar, da Terra e do Ar - a arquitetura e urbanismo na geografia e na cultura”, realizando-se em Lisboa, de 14 a 16 de outubro de 2014 e buscava, entre seus objetivos, investigar as relações entre Arquitetura, ambiente e cultura, da seguinte maneira:

A Arquitetura é a marca definitiva da ação do homem sobre o ambiente. Ela torna-se, sem dúvida, o receptáculo privilegiado de um tempo significativo: como memória viva das culturas que a produziram, celebra os acontecimentos e as instituições importantes e, ao mesmo tempo, traduz uma visão do cosmos que impõe ao espaço indiferenciado a ordem humana traduzida por um modo específico de estar e de ser. Essa é a maneira do espaço do homem se diferenciar do espaço "natural". Mas, se a Arquitetura fornece ao homem lugares de residência que definem um habitat artificial, um ambiente humanizado que serve de palco à sua vida quotidiana, é certamente na expressão arquitetônica de uma região ou de um modo de construir ligado a uma economia que poderemos distinguir as suas manifestações mais genuínas.

E, assim, essa manifestação, que surge sempre vinculada a um espaço real e àquelas condições de sobrevivência dependendo sobretudo de uma apropriação culturalizada desse espaço, torna-se o testemunho vivo de uma maneira de estar no mundo específica.

Por tudo isto, justificar-se-á sempre olharmos detidamente para as “arquiteturas do mar”, como resultado de uma fixação ribeirinha, as “arquiteturas da terra”, como origem de toda a atividade construtiva e as “arquiteturas do ar”, como sonho babélico da  ação humana.

 

Este quarto seminário, portanto, vem garantir a periodicidade dos encontros e as grandes estartégias do projeto da Academia. Sua realização no Brasil se justifica, ainda, não só pelos objetivos anteriormente expostos quanto ao número de interessados presente em nosso país, mas também como forma de necessária contrapartida brasileira a estes esforços internacionais. Soma-se a isto, o interesse da temática, considerando-se o aprimoramento das atividades dos arquitetos urbanistas e do ensino e pesquisa em arquitetura e urbanismo, em cosonância com as demandas contemporâneas e específicas de países com interesses e problemas comuns.